MacBook 13 polegadas – só para profissionais

WWDC – 2009

Pode comemorar: toda a linha Pro passou por atualização de especificações e teve preço reduzido. A primeira novidade foi o MacBook de 13 polegadas, que passou a ser Pro, o que dá margem para a Apple lançar outros modelos para o usuário doméstico. O mais novo membro Pro tem o design monobloco (“unibody”) dos outros modelos da série e vem com as seguintes especificações:

• processador Intel Core 2 Duo de 2,26 GHz ou 2,53 GHz

• 2 GB ou 4 GB de memória RAM, expansível para 8 GB

• HD de 160 ou 250 GB, com opção de 320 ou 500 GB ou ainda um SSD (drive de memória Solid-State) de 128 ou 256 GB

• placa de vídeo NVIDIA GeForce 9400M com 256 MB (compartilhada)

Outra novidade é que agora toda a linha MacBook Pro passa a ter a mesma bateria já presente no MacBook Pro de 17, cujo desempenho chega a mais de sete horas em modo econômico, ou seja, com baixo processamento (só para acessar internet, escrever texto e escutar música) e tela com brilho médio. Mesmo no modo de alto desempenho, seu fôlego é ótimo: dura mais de 5 horas, em geral.

Agradou muito a troca do slot ExpressCard pelo drive de cartão SD (o modelo de 17 polegadas permanece com o ExpressCard) e a inclusão da porta Firewire 800 em todos os modelos. Outra coisa legal é que toda a linha passa a ter display full HD (confira a tabela ao lado com as especificações de todos os modelos). O comentário geral era que a Apple deu uma incrementada nos portáteis para abrir espaço na parte de baixo para a entrada de um substituto para o MacBook branquinho. Especula-se bastante sobre um possível MacBook Air de 11 polegadas ou uma Tablet Mac rodando o iPhone OS e contando com todos os acessórios já lançados para o iPhone. É esperar para ver…

Novas configurações dos MacBooks Pro

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MacBook Pro 13”

; Processador 2.26 GHz Intel Core 2 Duo

2.53 GHz Intel Core 2 Duo

; Barramento 1066 MHz

; Cache L2 3 MB (compartilhada)

; Memória 2 GB ou 4 GB (expansível até 8 GB)

; Disco rígido 160 GB ou 250 GB

; Drive óptico SuperDrive 8x

; Vídeo tela de 13,3”, placa gráfica NVIDIA GeForce 9400M com 256 MB (compartilhada); câmara iSight; saída Mini DisplayPort

; Rede e expansão Gigabit Ethernet; Airport Extreme 802.11n (draft); Bluetooth 2.1+EDR; duas portas USB 2.0; porta Firewire 800; cartão SD

MacBook Pro 15”

; Processador 2.53 GHz, 2.66 GHz ou 2.8 GHz Intel Core 2 Duo

; Barramento 1066 MHz

; Cache L2 3 MB ou 6 MB (compartilhada)

; Memória 4 GB (expansível até 8 GB)

; Disco rígido 250 GB, 320 GB ou 500 GB

; Drive óptico SuperDrive 8x

; Vídeo tela de 15,4” (resolução 1440×900); placa gráfica NVIDIA GeForce 9400M com 256 MB (compartilhada) ou GeForce 9600M com 256 MB ou 512 MB de memória GDDR3; câmara iSight; saída Mini DisplayPort

; Rede e expansão Gigabit Ethernet; Airport Extreme 802.11n (draft); Bluetooth 2.1+EDR; duas portas USB 2.0; porta Firewire 800; cartão SD

MacBook Pro 17”

; Processador 2.8 GHz Intel Core 2 Duo

; Barramento 1066 MHz

; Cache L2 6 MB (compartilhada)

; Memória 4 GB (expansível até 8 GB)

; Disco rígido 500 GB

; Drive óptico SuperDrive 8x

; Vídeo tela de 17” (resolução 1920×1200); placa gráfica NVIDIA GeForce 9400M com 256 MB (compartilhada) ou GeForce 9600M com 512 MB de memória GDDR3; câmara iSight; saída Mini DisplayPort

; Rede e expansão Gigabit Ethernet; Airport Extreme 802.11n (draft); Bluetooth 2.1+EDR; duas portas USB 2.0; porta Firewire 800; cartão SD

Clang: a arma secreta?

A keynote da conferência mundial de desenvolvedores Apple WWDC 2009 apresentou poucas novidades sobre o Mac OS X 10.6 Snow Leopard. Exceto um ou outro retoque cosmético ou funcional, o dado mais importante para o usuário foi o anúncio do preço: US$ 29 para quem já tem o 10.5 Leopard. Ou seja, de graça, já que o valor deve ter sido cuidadosamente calculado apenas para cobrir os custos de distribuição e suporte. O preço normal de uma versão nova do Mac OS X é US$ 129, o que inclui (como a companhia adora repetir) “centenas” de novidades. Aparentemente, há poucas diferenças entre 10.5 e 10.6. No entanto, Bertrand Serlet, vice-presidente de engenharia de software da Apple, afirmou que “90% da infraestrutura” do OS foi refeita.

E não há motivos para duvidarmos. Em praticamente todas as versões anteriores, a Apple melhorou justamente isso; na verdade, este é o grande trunfo da velha estrutura de camadas: é possível melhorar uma sem perturbar as outras. E é assim que o Mac OS X vem progressivamente ficando mais rápido. No entanto, 90% é exagero. Embora seja a primeira vez que um número assim é mencionado, não creio que alguma versão anterior tenha passado dos 25%.

Quatro tecnologias novas estão na base dessa revolução oculta: Grand Central Dispatch, OpenCL, blocos, e Clang/LLVM. Todas são produto da limitação da tecnologia de silício usada nas CPUs modernas: 3 GHz é a velocidade máxima possível na prática. Para contornar isso, todos os Macs atuais têm ao menos duas CPUs, enquanto o Mac Pro topo de linha tem 8 (ou 16, do ponto de vista do software). No passado, o grande desafio foi escrever software para aproveitar mais de uma CPU. Por exemplo, há 14 anos – noutra WWDC –, comprei um Genesis MP528. Este clone de Mac tinha 4 CPUs PowerPC 604 rodando a 132 MHz. Por anos, apenas o Photoshop e um ou dois outros programas conseguiam aproveitar as 3 CPUs extras, e mesmo assim, somente para processamento de imagens; o System 7.5 da época e seus sucessores “clássicos” não ofereciam este recurso aos programadores.

Felizmente, o Mac OS X, desde o início, dava suporte a CPUs múltiplas, algo que foi ampliado a cada versão. Até no 10.4 o programador tinha de se valer de “threads”, ou seja, subtarefas que podiam rodar simultaneamente. Mas montar threads e compartilhar dados entre elas era complexo, sujeito a erros e relativamente custoso. Já no 10.5, o Cocoa passou a ter objetos (NSOperation) que podiam encapsular operações entregues ao sistema para execução simultânea, um recurso que ainda era limitado a certos casos.

No Snow Leopard, o Grand Central Dispatch foi implementado em uma das camadas mais básicas do sistema. Pequenas tarefas – convenientemente escritas como um novo recurso da linguagem C chamado “blocos” – podem ser enfileiradas para execução, e o sistema se encarrega de alocar recursos como threads, CPUs e assim por diante. Como são tão simples de escrever e enfileirar, e disponíveis em praticamente qualquer contexto (não apenas em aplicativos Cocoa, como eram os NSOperations), a Apple investiu pesado em reescrever sua infraestrutura usando esse recurso. Essa ênfase no paralelismo, aliás, explica por que o Snow Leopard não vai ter versão para PowerPC: menos de 1% da base instalada PowerPC tem mais de uma CPU.

O OpenCL é um recurso de paralelismo bem mais especializado. Voltado ao processamento especializado de imagens e conjuntos de dados similares, permite definir pequenas tarefas que podem ser executadas paralelamente por “unidades de execução”: um termo que se refere tanto a CPUs como aos recursos computacionais das GPUs das modernas placas de vídeo. Assim, programas que processam imagens terão grande ganho de velocidade sem ter de se preocupar com a existência ou modelo dessas unidades; pelas demonstrações que vimos, pode-se conseguir aceleração de centenas de vezes.

Para ter esse suporte no baixo nível do sistema, a Apple teve de adicionar recursos à linguagem C (e, portanto, ao Objective-C) e, sem dúvida, deverá introduzir mais inovações no futuro. Foi complicado fazer isso no compilador gcc, um software antigo e complicado demais para acomodar novas modas. Assim, há algum tempo a Apple está liderando um projeto open source de um novo compilador, o Clang, e um novo gerador de código, o LLVM.

A dobradinha Clang/LLVM é a grande arma secreta da Apple para os próximos anos. Sua estrutura mais moderna e expansível pode ser mais integrada ao Xcode e tem recursos que aumentam muito a produtividade do programador. Por exemplo, a versão atual tem um “analisador estático”, que aponta muitos erros comuns de programação. Por sua vez, o LLVM, que gera o código executável a partir de um código intermediário produzido pelo Clang, em longo prazo, vai permitir mais otimizações que o gcc.

Outra vantagem do LLVM é que, em tese, esse código intermediário poderia ser armazenado diretamente dentro dos aplicativos e só traduzido para linguagem de máquina na hora da execução. Assim, não haveria mais necessidade dos “fat binaries” e a Apple poderia introduzir novas variedades de CPU em produtos futuros sem que o programador precisasse saber de detalhes.

~ por MacBau em 27 / outubro / 2009.

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